Tentações

21jun09

TENTAÇÃOHá cerca de dois anos decidi ser católica praticante. Simples assim.

Decisão tomada, passei a frequentar a Missa aos domingos e até me inscrevi no curso de Crisma ao qual compareci 3 dias.

Todo o ritual da Missa era um mistério completo pra mim que, domingo a domingo, se tornou apenas parcial. E eu adoro rituais. Acho lindas as diversas tradições das mais diferentes culturas.

Uma das coisas que mais me interessaram nessa retomada foi o PAI NOSSO. Na Igreja que frequento ele é cantado o que faz com que seja ainda mais bonito e intensa a experiência de rezá-lo.

Para uma ex-ateia ou ex-agnóstica (dependendo da fase) como eu, escrever sobre isso chega a ser esquisito. Mas, a verdade é que passei a entender as orações como mantras que nos permitem uma elevação a qq coisa espiritual.

Voltando ao PAI NOSSO, todas as partes são muito significativas, mas, por várias razões, falarei apenas do NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO.

Primeiro pq foi por ter caído em uma um ano atrás que parei de ir à Igreja por meses. Pq não suporto incoerências. Não posso ser católica e cair tão intensamente numa tentação e fingir que nada aconteceu no domingo seguinte.

Segundo pq, no momento, estou pedindo a Deus com TODAS as minhas forças para não cair em mais uma.

Eu não sou exatamente uma mulher que tem determinado o seu TIPO DE HOMEM. Toda sorte de caracterísitica pode acabar me interessando e, cada vez que descubro mais uma, me acho mais esquisita. O meu interesse pelo meu mais recente namorado, por exemplo, me fez acreditar por uns tempos que eu estava, inclusive, sofrendo de alguma PARAFILIA, de tão surreal que ele era.

Mas o fato é que, dentre todas as características que me chamam a atenção, a beleza é a última delas. Até pq, quem gosta de homem bonito é viado. Eu gosto de homem e ponto.

Mas o homem LINDO a dois passos de mim é uma tentação extremamente tentadora… ainda mais quando eu percebo que a beleza extrema é só uma das características positivas apresentadas pelo ser tentador.

Todas as pessoas que me conhecem sabem que tenho bem determinada em minha cabeça (após um acontecimento traumático em minha vida amorosa) que ONDE SE GANHA O PÃO NÃO SE COME A CARNE. E todas essas pessoas sabem tb que eu não teria a capacidade de me relacionar com um homem lindo de morrer.  A simples reação das mais diversas mulheres ao se depararem com a tentação já é um ALERTA VERMELHO a esse respeito.

Eu sou ciumenta, controladora, carente e muito chata!!

E tem mais: lembrando da tentação do ano passado… dps de algumas semanas perdeu a graça completamente.

Pretendo lembrar disso todos os dias para conseguir não pensar na tentação como tentação, mas apenas como um inconveniente hormonal passageiro.

Deus tem me ajudado em tanta coisa na minha vida. Não vai se negar a me ajudar nisso tb.


Siso…

18jun09

SISOQue eu sou cilcotímica, bipolar, de lua ou difícil de lidar todo mundo já sabe. Sou um amorzinho de pessoa até o momento que a minha outra personalidade assuma o controle causando imenso mal estar em todos os presentes, e até em mim.

Mas ainda não falei sobre as coisas que potencializam o aparecimento da minha versão surtada, aliás, nem vou falar agora pq estou totalmente impaciente com TUDO!!

Vou falar a respeito somente dessas duas coisas: QUALQUER coisa me incomodando no meu olho e QUALQUER coisa me incomodando na minha boca. Eu tenho, francamente, vontade de sumir do mapa, entrar em coma e só sair quando o problema estiver sanado.

Acontece que, há 10 dias, resolvi, por razões adversas a minha vontade, extrair o siso inferior direito. Desde então, a minha vida virou um IN-FER-NO!! A maioria das pessoas quando passa por esse procedimento sai com a boca inchada e em 3 dias está ok. Mas eu não!

Após longa pesquisa na internet e acesso a TODOS os foruns do universo sobre o tema descobri que fui acometida por uma praga chamada PARESTESIA.

Isso significa que por um tempo não determinado tenho que conviver com os seguintes sintomas:

  • boca torta
  • dormência no lábio infeior
  • dormência no queixo
  • dormência no lado direito do rosto
  • dormência na GENGIVA (!!!…)
  • ardência no lábio inferior
  • ardência na lingua
  • gosto metálico na boca
  • pressão em toda a minha boca pq parece que meus dentes ficaram sem saber o que fazer e estão em franco movimento pela conquista do espaço recém surgido
  • sensação de desespero completa por causa da impossibilidade de fim IMEDIATO de todos esses sintomas

Em consequência disso tudo minha cabeça dói sem parar, meu ouvido dói as vezes e minha traqueia (é! a traquéia!!) dói de vez em quando.

Tratamento para isso? Vitamina B e TEMPO!

O que li foi: espere que uma hora vai passar… pode durar até dois anos. DOIS ANOS!!

Só faltaram me dizer: QUANDO CASAR SARA… pois é… super fácil… o suicídio assistido tem mais chances nesse momento de acontecer em minha vida.

UPDATE: Hj é dia 27 de junho e todas as dormências continuam por aqui. Como não tenho alternativa, estou aprendendo a viver com essa questão.

MAIS UM UPDATE: Extraí o siso dia 09 de junho. Hoje é dia 14 de julho e continuo com a mesma dormência. Aliás, não sei dizer se melhorou alguma coisa, ou se eu estou me habituando a isso. O gosto metálico, praticamente, desapareceu, mas ainda sinto algumas vezes. O lábio além de estar dormente, parece estar muito sensível e sinto alguma coisa que parece com dor, mas não sei bem se é dor… surreal eu não saber descrever a sensação, mas é isso. O dentista espetou minha gengiva, meu queixo e meu lábio com uma agulha e eu senti em todos os lugares a agulhada. Ele disse que isso é sinal de que as coisas estão voltando ao normal… Tomara!


GAY HEARTSMeu DIA DOS NAMORADOS não poderia passar despercebido. Não poderia simplesmente passar… não. Não poderia ser normal, um dia qualquer.

Estava eu meio de cama por causa de um pequeno procedimento cirurgico realizado dias antes e tentando arrumar minhas coisinhas para a mudança do dia seguinte para o meu escritório novinho e lindo e ignorando totalmente essa data, quando um ex-qualquer coisa meu (não consigo definir o que foi nosso relacionamento) me liga me chamando para um café aqui perto de casa às 19 horas.

Este, francamente, é o meu programa preferido. Nada na vida me agrada mais que um bom café com um bom amigo regado a muita conversa sem nexo jogada fora por horas a fio.

Eu, de pronto, animadamente, aceitei.

Claro que esqueci completamente do detalhe inesquecível de hoje ser DIA DOS NAMORADOS… deve ter sido um mecanismo de defesa do meu insconsciente…

Chegando ao Café que combinamos, lembramos que o lugar era totalmente GAY!! Mesmo se não lembrássemos: eram dezenas de casais de homens por todos os lados demonstrando toda sua felicidade e sintonia gay! Todos super carinhosos, umas graças!

Pedimos um espumante, uma entradinha… mas o clima gay do local era excessivo para deixarmos passar despercebido.

Ele tinha acabado um casamento há poucas semanas e eu um relacionamento qualquer há poucos meses… foi inevitável não rirmos da nossa situação ridículaaaa!

Foi uma delícia! Brindamos aos casais de namorados ao nosso redor como se fôssemos duas amigas bem resolvidas, já que a minha vontade de voltar a ter qualquer coisa com ele é nula e acho que a dele comigo tb… nosso relacionamento durou uns seis meses ou mais (ele acha que mais…) e foi SUPER bem vivido e encerrado. Então, não sobraram problemas, só coisas boas. Muito boas, aliás.

Ficamos naquele Café até a 1 hora da manhã, consumimos duas garrafas de espumante (fora o copo que eu derrubei inteirinho em cima de mim… normal…), falamos sobre mim e sobre ele (mais sobre mim do que sobre ele… normal tb…), rimos de coisas do passado e da situação que estávamos vivendo naquele momento num Café cheio de pétalas de rosas vermelhas espalhadas pelo chão em homenagem àquele dia que nem eu nem ele pretendíamos comemorar e terminamos a noite felizes.

Adoro os momentos da minha vida nos quais eu me basto, em que mesmo esperando um telefonema ou sms de uma pessoa que eu conheci outro dia, tenho 1 bilhão de coisas em patamares infinitamente superiores na minha “escala de coisas importantes” que dependem exclusivamente de mim.

Só mesmo num momento como esse é que eu pude passar um Dia dos Namorados, cercada de casais felizes, solteira, na companhia de um ex, sem ter nadinha com ele, rindo, bebendo, mesmo passando mal de dor por causa da cirurigia que eu fiz 3 ou 4 dias antes, mesmo super preocupada com questões familiares com as quais nem tenho forças pra me preocupar agora (pq já me preocupei demais nos últimos meses e não resolvi nada), muuuuuito bem!

Quem foi que disse que só os casais convencionais podem ser felizes nesse dia?

Eu não fui…

PS: esse meu ex é o da hisória da neozelandesa… nós, inclusive passamos mal de rir relembrando desse dia que NÃO foi um delírio da minha cabeça…


A new one…

11jun09

PRINCE CHARMINGE eis que, depois de pouco mais de dois meses de solteirice, eu conheci um moço.

Não pretendo falar nenhuma palavra sobre ele. Nada. Quem é, como é, pq é… tudo isso será ignorado.

O que farei aqui será apenas a análise dos sentimentos que surgem no ser ao longo dessa história.

Conheci o moço numa festa de um amigo em comum. Ele veio falar comigo, gostei da conversa, acabei me interessando e saímos juntos da festa para conversarmos melhor.

Depois de muito bate-papo ele me deixou em casa e no dia seguinte mandou um protocolar sms “Adorei a noite de ontem… precisamos repetir”. Minhas amigas consultadas a respeito acham que protocolar é apenas o “Adorei a noite de ontem” e que o “precisamos repetir” demonstra, definitivamente, interesse em me rever.

Eu, neurótica assumida, acho que é tudo protocolar mesmo e que se eu procurar direitinho nas mensagens que já vêm prontas no celular, essa estará lá.

Respondi que precisamos repetir mesmo e que tb adorei a noite. Protocolar tb…

No dia seguinte ele me manda mais um sms. Essa coisa de sms, francamente, já está me cansando! Eu sou uma mulher conservadora! Gosto mais de telefonemas…

Dessa vez ele foi mais original e me convidou pra tomar um vinho e ver um dvd na casa dele… é, todos sabem o que convites envolvendo vinho significam. E prosseguiu:

ele: qdo fica bom pra vc.

eu: amanhã ou dps.

ele: pode ser hj…

eu: Tá bom… 😉

ele: Te espero a que horas?

Whaaaaaaaaaaaaaaaaaat??? Como assim me espera a que horas? É pra eu ir sozinha até a casa dele tomar vinho? DE JEITO NENHUM.  A partir daí, não respondo mais nada pra evitar a resposta que eu acho que um homem que faz tal proposta merece.

Ele, então, entende a mesagem, me liga e pergunta: a que horas passo pra te buscar?

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, bom. “Pode ser às 10… :)”

Vimos o filme, tivemos uma noite ótima e… só. Ele não ligou mais. Isso foi na segunda-feira.

Ontem, quarta, eu mandei um sms . Ele disse que não estará por aqui no feriado que começou hj e, como ele sabe que eu fiz uma pequena cirurgia disse: “vc vai ter que repousar mto no feriado, né?”…

Eu respondi: É, vou mesmo.

Pra mim, esse foi o fim da relação. Já me senti rejeitada e isso, eu não posso suportar!

Minha amiga e conselheira M. disse que não tem nada a ver, que ele só tinha planos pré-agendados pro feriado, que eu estou mesmo impossibilitada de sair e que eu sou muito mimada pq minha última relação foi fácil pra começar. Será? EU não acho, acho que ele colocou um ponto final…

Tinha achado esse moço uma graça… vai ser pena se parar nisso.

UPDATE em 19.06.2009: dps do feriado mandou um sms…. eu respondi. Hj, 3 dias dps, mandou outro sms e passamos para uma nova etapa em nosso relacionamento: ele mandou o msn dele pra eu adicionar e falamos por 2 horas… mas, infelizmente, durante a conversa, me adicionou no orkut…


AMIGAS NO CINEMAO que fazem duas mulheres solteiras numa noite de sexta-feira no Rio de Janeiro?

Resolvem esquecer das consequências desastrosas de sairem juntas e sozinhas (TODOS – é, momento egocêntrico do post – notarem que elas estão sem homens e concluirem em 3 segundos que: ou são encalhadas ou são sapatas dating) e encaram uma sessãozinha básica no Cinema Leblon (isso, aquele repleto de casais consolidados e felizes moradores daquele que é o melhor bairro da cidade) às 21:30.

Para não correrem o risco de não encontrarem ninguém conhecido e não passarem por essa humilhação sem testemunhas, escolhem logo a estréia mais anunciada do cinema nacional.

Isso tudo, tudo bem, eu tiro de letra. Até pq, pior que sair com uma amiga é sair totalmente sozinha e isso eu estou cansada de fazer e, francamente, adoro. Sou ótima companhia para mim, até pq eu JAMAIS me contrario e isso, por si só, já é uma maravilha e motivo suficiente para eu até querere casar comigo mesma…

O pior é quando ocorre uma humilhação dentro da humilhação. E isso, claro, acabou acontecendo. Nada de tropeços, quedinhas rápidas (que tb aconteceram, mas nem liguei…). Dessa vez, meu cérebro complexo resolveu se superar. 

Antes de entrarmos compramos aqueles combos imensos – com pipoca gigante e dois refrigerantes, espcíficos para casais integrados e apaixonados – e levamos com muita dificuldade – já que assim como eu, minha amiga é suuuuper desastrada – para nossos lugares que, por sinal, ficavam estrategicamente posicionados entre dois casais apaixonadíssimos, desses que não param de demonstrar toda sua sintonia em público, sem a menor pena ou mesmo, consideração, com os desafortunados ao redor.

Filminho rolando e eis que eu, sempre com mta sede, resolvo dar aquele gole no meu refrigerante. E dale gole. Enquanto minha vizinha se entretinha com o namorado, marido, ficante ou seja lá o que for, eu bebia mesmo a coca zero (a maior invenção da humanidade dps do ar condicionado).

De repente, a dúvida: ops… será que esse refrigerante é meu ou da menina aqui ao lado direto??. Olho pro lado esquerdo e vejo lá, paradinho o copo que era o meu, já que o da minha amiga estava na mão dela naquele justo momento. Ou seja, a coca que eu consumi quase que toda era a da menina entretida com o namorado!!

Isso mesmo, eu tive a capacidade de beber a coca-cola da menina que estava sentada ao meu lado!!!!! 

Depois de angustiantes momentos de dúvida sem saber se pedia desculpas, trocava de copo com ela ou, simplesmente, ignorava, notei que a moça não havia notado meu delírio e continuava bebendo o refrigerante dela como se nada tivesse acontecido. Ufa…

Agora eu me pergunto: onde é que isso pode chegar? Onde é que a minha distração pode me levar?

Dá pra ter idéia do meu constrangimento diante dessa situação surreal? rs… a minha amiga que estava do meu lado quase morreu, coitada… mas continuou sendo minha amiga, sentadinha ao meu lado. Amiga tá aí! Eu acho que até EU já teria me abandonado se pudesse…


untitled1Não posso negar que minhas (longas) histórias são famosas entre os meus amigos. Alguns, quando detectam o olhar de “tenho coisas novas para contar!!” preferem até sair correndo. Outros ficam, por preguiça ou por não terem mesmo senso algum de iniciativa.

Algumas conto várias vezes e fico feliz quando alguém do grupo não conhece, só pelo prazer de contar de novo. Esse é o caso da já clássica história  – que, apesar de ser integralmente verdadeira, já virou “lenda urbana” – do “Enterro do S. Isaias” (um dia, quem sabe, eu posto) e também dessa que agora vou a relatar.

Um dia desses, alguns anos atrás, conheci um rapaz muito interessante com quem passei a sair. Como ambos trabalhávamos no Centro, no começo, costumávamos sair por lá mesmo… almoço pra cá, happy hour pra lá…

Até que um dia,  ele me liga pra sairmos a noite. Disse que tinha que ajudar um amigo que estava ciceroneando uma amiga inglesa da namorada dele, que tinha baixado aqui no Rio justamente na véspera de uma prova da menina. Fomos, desta forma, para a Lapa, mais especificamente, para o “Carioca da Gema” encontrar a inglesa e o amigo cicerone do meu… amigo.

Eu fui com aquela produçãozinha básica de Lapa… calça jeans, blusinha sem graça e, como estava frio, bota. Quilos de blush, rímel e gloss tb. Sempre! Mas, posso dizer, sem medo de errar, que eu estava muuuuito basiquinha e sem sal naquele dia. Aquela coisa de… “inglesa na Lapa… putz… que programinha chato!”.

Eu que sou um ser inseguro e ciumento estava zero preocupada com a inglesa que eu imaginei ser chata, feia e esquisita (sei lá pq achei isso…).

Eis que ao chegarmos ao “Carioca da Gema”, entrei uns passinhos atrás do menino – não me lembro pq – mas não longe o suficiente para não ouvir o que as pessoa falavam. E, detalhe: essa era a primeira vez que saíamos, por isso, os amigos dele nem sabiam que eu existia.

De repente o rapaz olha pro meu amigo com aquele sorrisão estampado no rosto e diz: “Fulaninho, pode ir lá… já falei de vc pra ela e ela só está te esperando”. E, nisso, aponta para a rudimentar pista de dança local.

Quando eu olho na direção apontada, vejo uma imagem que JAMAIS sairá da minha mente: a tal da inglesa, que, aliás, era neozelandesa, era ma-ra-vi-lho-sa!! Sem brincadeira, uma deusa! Linda de morrer mesmo… dessas que desanimam as mulheres a entrarem em desputa tamanha a deslealdade da concorrência…

A criatura estava com uma roupa igualmente maravilhosa, coisa digna de aprovação por Miranda Priestly e, pior: SAMBAVA!! Rebolando até o chão!!!!!! Alguém pode me explicar onde e como é que se aprende a sambar na Nova Zelândia??? 

A moça, além de tudo era de uma raça que eu desconhecia. Ela tinha uma cor diferente, meio dourada… o cabelo perfeito… os dentes. Infelizmente, não tenho uma foto pra que se entenda a dimensão da humilhação imposta a mim naquele brevíssimo momento.

Bem, como tenho noção de que não é todo dia que uma mulher dessas aparece na frente de um homem, olhei pra carinha do rapaz e disse: “Fulaninho, olha só, deixa eu te falar uma coisa, de verdade, do fundo do meu coração, sem ressentimentos: a gente sai há uns 10 dias só… não temos um relacionamento nem nada… não tem cabimento vc perder essa oportunidade por minha causa. Eu vou pra casa, outro dia vc me liga, a gente sai… vc nunca mais vai encontrar uma mulher dessas nessa encarnação. Sério”. 

Ele, felizmente, era muito gentil e educado, um dos homens mais cavalheiros que eu já conheci e me disse: “Imagiiiina! Tá maluca? Nem achei nada de mais nessa mulher! (aham……). E mesmo que tivesse achado! Nunca deixaria vc ir embora! Com que tipo de homem vc está acostumada a sair? (Quase respondi… querido, vc nem imagina… rs).

A Nova Zelândia Next Top Model permaneceu dando show de samba no pé na pista do primeiro andar, nós dois fomos para o segundo andar do bar e, dps desse dia, fomos felizes para sempre… pelos seis meses seguintes… 😉


MENININHA COZINHANDO FELIZ SEM SABER O QUE A AGUARDADepois de profunda reflexão e algo que posso chamar de processo de regressão, consegui me lembrar da primeira vez em que me senti rejeitada por um ser do sexo masculino. Depois de refletir mais um pouco, concluí que essa é uma experiência que vale a pena ser contada, apesar de isso significar expor uma duríssima realidade: a de que desde muito cedo, a vida me deu sinais do que viria pela frente, mas eu é que fingia não ver.

Durante cinco anos da minha infância morei em um prédio onde havia muitos amigos da minha faixa etária. Alguns, inclusive, são meus amigos até hj.

Bem, o fato é que nesse prédio morava tb um menino. Uma graça, muito bonitinho, mas essa não era a sua qualidade principal – como acontece ainda hj, naquela época beleza já não me enchia os olhos. O mais legal desse menininho era que ele, apesar de ser menino, gostava muito de brincar comigo! Penteava minhas bonecas, mudava as roupinhas delas, brincava de panelinha, tudo na maior organização! Os meninos chegavam pra brincar com o meu irmão, íam jogar bola, esqueciam que eu existia. Mas ele não! Permanecia ali, ao meu lado, companheiro! Dedicado à brincadeira comigo.

Claro que ele era gay (sim, aos 5 anos, eu já tinha amigos gays…). Todo mundo comentava, mas eu nem sabia o que isso significava.

E claro tb que isso não era empecilho pra eu achar, do alto da minha vasta experiência de vida, que era apaixonada por ele.

Estava eu, então, na casa de uma amiguinha, que tb nutria essa preferência por ele, e contamos esse fato pra mãe dela. Essa senhora, achando que estaria fazendo a coisa mais legal do mundo, sugeriu que preparássemos um lanche e o convidássemos pra lanchar com a gente (francamente, que mulher sem noção!!!). E assim foi feito.

Não sei dizer o que foi usado de isca para atrair o pobre menininho gay, mas eu sei que ele lá chegou, depois de nós duas passarmos hooooras preparando o tal lanche.

E foi mais ou menos o seguinte o que aconteceu: ele entrou, foi conduzido pela mãe da menina à mesa do lanche, olhou para o lanche e disse: “Não quero não, obrigado! Eu já lanchei”. Em seguida, foi embora sem nem olhar pra trás.

Ainda hj sinto o constrangimento – hj sei que foi isso o que senti, pq na época não soube identificar o desconforto daquela situação – que experimentei com aquela cena. Por tudo!

Pq se há algo pior que uma mulher oferecida, só uma mãe fazer isso com a filha. De 5 anos!! A mulher organizou o mico todo sem contar ao menino que seria servido um lanche pra ele! Eu sou mãe de uma menina e não me imagino fazendo nada que pudesse levar minha filha a tamanho constrangimento (se bem que, minha filha, pré-adolescente que é, acha que os amigos dela verem a mãe dela respirando já é mico…)!

Desde então, traumatizada que fiquei, não consigo demonstrar facilmente meus sentimentos pelos meninos a não ser que eles estejam declarada e irremediavelmente apaixonados por mim.

Bem, logo dps da paixonite pelo amiguinho do prédio, passei a gostar de um menino da escola, que, como eu, estava no pré e que (lembro bem) chamava Ricardo e era flamenguista. Mas com esse não tenho nenhuma história pra contar.